Parágrafos, Pessoal

Ritual de Natal

O Natal tem sido há alguns anos sinónimo de pouca felicidade. Contudo, este ano o cenário começou a alterar-se rumo a algo que me faz querer repetir todos os anos – mas, sem precipitações, o melhor é esperar que esses anos venham verificar a tendência.

Talvez por atribuir este significado ao Natal, criei o meu próprio ritual. Todos os anos, na véspera ou no dia de Natal, passo pela praia. Aquele lugar vasto e mutável é o meu lugar. Sei que há muito cliché em ter a praia como o sítio preferido para se estar, mas a verdade é que essa é também a minha realidade. É inexplicável, é sensorial.

Não vou fazer nada para lá. Mesmo. Limito-me a ir, sentar-me algures numa duna e ficar ali até me lembrar outra vez que a realidade existe e que talvez já seja tempo de voltar a casa. Não conto minutos nem horas, fico o tempo que aquele estado de limbo durar. Levo preocupações, ideias soltas e trago o sossego que lá sempre encontro. É maravilhoso. Mágico. Terapêutico.

soltroia

O ar, o mar, o azul, o areal, a vegetação das dunas, a madeira quebrada dos dias de inverno, tudo aquilo compõe a melhor paisagem possível para ir… fazer nada.

Normalmente vou para as praias de Grândola – minha terra-natal e onde passo o Natal todos os anos -, sem grandes preferências, mas quanto mais deserta estiver, melhor. E nisto, conhecendo já a “casa”, é curioso como ainda consigo ir descobrindo novos “cantos”.

Este ano o ritual levou-me até à Praia Atlântica em Soltroia. Tenho ido para lá nos últimos anos (em tempos de verão) por ser menos invadida por turistas e, por isso, mais calma. Mas desta vez decidi olhar para o lado e ver o que estava mesmo ali, diante dos olhos. Parecia que estava num Resort paradisíaco abandonado. Um cenário incrível que ainda me roubou uns minutos de contemplação.

Deixo-vos algumas fotografias da praia e uma amostra da beleza indescritível que guarda. Mas a real beleza, não vos consigo mostrar. Terão mesmo que ir até lá, senti-la.