Parágrafos Pessoal

Este texto não contém promessas de ano novo

Primeiro dia de um novo ano. Nada muda. E ainda bem.

A passagem de ano é um evento simbólico, um pretexto para comemorar, um marco para balanço generalizado da realidade social, económica, política, etc., com a devida utilidade prática. Mas também é para algumas pessoas a altura de fazer promessas (que muuito raramente cumprem), reflectirem tudo o que fizeram e querem fazer no ano que se segue e arranjarem um pretexto para ter “a melhor noite de sempre” (que nunca é).

A passagem de ano normalmente aborrece-me. Não o evento em si, mas aquilo que fazemos dele. É geralmente falso, superficial, oco. E é isso que me tira muitas vezes a vontade de apanhar a boleia das massas.

Há uns valentes anos atrás adorava a passagem de ano. Tinha aquela febre adolescente, que normalmente se justificava por aquela noite me permitir sair de casa dos meus pais e ir festejar pela noite fora com os meus amigos (coisa que raramente fazia noutras noites), mas que passou. Naturalmente que sim. Felizmente passei a ter mais noites “daquelas” espalhadas por todo o ano, melhores que qualquer passagem de ano até então registada. E tudo se relativizou.

Já passei a passagem de ano com família, com amigos e até sozinha. E nenhuma das hipóteses me parece pior que as restantes, todas elas são bastante válidas mediante o meu estado de espírito para a noite de 31 de Dezembro. A escolha do programa será sempre baseada naquilo que me apetecer fazer (ou não), sem tretas, sem superficialidades, sem me obrigar a fretes. (Se não me apetece ir para a rua rapar um frio de gelar o cérebro – para não dizer a palavra feia que acaba em “alho”-, porque diabo tenho que me sujeitar a isso?!). Porque é apenas mais uma noite. Que pode ser aproveitada para sair, para fazer um passeio com amigos, para preparar um jantar mais elaborado, para ficar a ver filmes no sofá, para jogar jogos de tabuleiro em família, para qualquer coisa que nos apeteça fazer, tendo a vantagem de o dia seguinte ser sempre feriado.

Uma das coisas que mais adoro na minha vida é a minha liberdade e autonomia de pensamento. Sou muito grata por ser assim. E, por isso, ainda bem que não é “o último dia do ano” que me coage a fazer nada. Farei aquilo que eu quiser fazer, como quiser fazer, esteja o mundo inteiro a pender para o mesmo lado que eu, ou não. Assim fiz mais um ano. Fiel e respeitadora da minha própria vontade.

Promessas e resoluções de ano novo faço-as a cada dia, quando encontro razões para tal. Reflexões sobre passado e futuro faço no meu aniversário. Grata tento ser todos os dias. Um calendário muito próprio, personalizado, que existe não para “ser diferente”, mas porque é aquilo que eu sei e sinto funcionar comigo, fruto da minha verdade para comigo mesma.

E, para me adiantar já com uma contextualização, a passagem de ano de 2017 para 2018, essa sim, será definitivamente especial. Essa está pensada há uns bons meses e tem um simbolismo indescritível. Mas falarei sobre isso quando for oportuno – não quero lançar agoiros. Ao final de contas, muita coisa acontece num curto ano.