Diário de uma Solteira Parágrafos

Diário de uma Solteira | Trust issues

Há uns dias disse algo que me deixou imediatamente a pensar. Disse algo que respeitava ao meu “receio/desconforto” em circular em espaços com muitos homens. Surgiu de uma conversa banal sobre a afluência de pessoas na zona onde moro em dias de jogo no Estádio da Luz, algo que em nada respeitava a temas de diferença de género, mas que, por isso, tornou a minha declaração ainda mais “real”. E, sem ser necessário qualquer comentário do outro lado, a minha constatação face à observação que tinha feito foi automática: “não confio nos homens”.

É curioso como descobrimos repentina e inesperadamente algumas coisas sobre nós mesmos quando nos salta uma declaração espontânea em conversa com outros. Confesso que me assustou um bocadinho perceber que aquilo que sentia em relação àquela afluência toda era sintomático da minha falta de confiança nos homens, maior parte da massa mobilizada para a zona.

Porquê esta discriminação de género no que respeita à confiança? Dificuldade em compreende-los? Mágoas do passado? (Será possível, passado tanto tempo?). Não sei. Genuinamente, não sei. Tenho pensado sobre o assunto na tentativa de chegar a alguma conclusão, mas nada. Não sei porque desconfio deles. Mas agora percebo melhor de onde vêm algumas das minhas reacções.

É por isto que não é fácil aproximarem-se. É por isto que nunca estou certa das suas intenções. É por isto que, até prova em contrário, todos eles vão fazer asneira – seja lá isso o que for. É por isto.

E agora? O que fazer? Não posso passar a confiar só porque sim, só porque tomei consciência de que não confio. Não é uma escolha, é um reflexo(?). E, tal como as desconhecidas origens, desconheço o que fazer para não me condicionar pela realidade dos factos.

Se calhar acabei de encontrar a causa para a minha dificuldade em apaixonar-me. Não funcionará por si só, mas certamente é causa da minha impaciência, inquietude, da “mais que limitada” margem de erro que imponho, e tantos outros obstáculos. Ninguém está disposto a apostar em algo que não confia minimamente, não é? Como poderei eu investir na paixão se não confio nos homens?