a woman's diary

Parágrafos Pessoal

“Portugueses e portuguesas” uma ova

“Vanessa, uma coisa que te tira sempre do sério?”

Fácil: defenderem a igualdade tendo atitudes que claramente expõem antagonismos. Não suporto. Não aguento. Cresce em mim aquela raiva incontrolável meio que desesperada por encher a cara de alguém com uma boa chapada. Causa-me muita urticária esta coisa de “portugueses e portuguesas”, “cidadãos e cidadãs”. Jesus! Só de escrever isto já estou a bradar aos céus implorando um pouco de calma.

Alguém me quer explicar de onde surgiu esta ideia absurda de diferenciar uma nação por géneros? Caros, sabiam que “portugueses” é uma designação que não indica género, certo? E sabiam também que, se o propósito é não diferenciar homens e mulheres, se é defender a igualdade de género, o que estão a fazer é precisamente o oposto?! (Não estou a dirigir-me agressivamente para vocês, pessoas fofinhas que se dão ao trabalho de ler o que aqui escrevo; é uma conversa meio que “para o ar”).

Irra! Porque é que temos esta mania de estar sempre a arranjar manhas maradas (perdão, mas precisei mesmo da redundância para tocar a real dimensão da coisa) por causa de mentes sensíveis, fatalistas que só se sabem vitimizar? Isto toca em muito uma ideia que expus no último “Diário de uma solteira”, em que falava desta nossa extraordinária capacidade de vermos o que nos é mais conveniente. Ora, acho que esta tola mania não acaba por ser mais do que o resultado de umas cabecinhas pensadoras acharem que era ofensivo para as mulheres nunca terem um discurso direccionado… (pausa para expirar). Gostava muito que alguém pudesse dizer a essas cabecinhas que são muito, muito – ia escrever estúpidas, mas não escrevi – idiotas. E que – já agora – dissessem às que lhes perpetuaram a idiotice que são ainda mais idiotas que as primeiras. Alguém fazia este favor?

É descabido separar os géneros nestes casos, quando se fala de uma nação, até porque daqui a um passinho estamos também a adicionar à listagem outras designações (vai se lá saber quais) que nos permitam não omitir qualquer um dos 56 géneros reconhecidos. A não ser que os nossos tão adorados políticos achem que realmente isto se trata tudo de um grande espectáculo e estejam simplesmente a adaptar as boas vindas teatrais de “senhores e senhoras, meninos e meninas” para o seu território artístico. Se assim for, retiro já tudo o que escrevi!

Pronto. E agora que já leram o meu lado mais indignado, vou deixar-vos a pensar se querem continuar a ler este Diário. Entretanto vou praticar uns exercícios de relaxamento.